Política

Marcus Alexandre deixa a Prefeitura de Rio Branco para concorrer ao Governo

O presidente da Câmara de Vereadores de Rio Branco, Manuel Marcos, recebeu, ontem pela manhã, a carta-renúncia do prefeito Marcus Alexandre e colocou o documento em votação imediatamente. Com isso, a professora Socorro Neri, eleita vice-prefeita na chapa de Alexandre assume a Prefeitura e deverá ficar no cargo até 2020, enquanto o já ex-prefeito, cumprindo exigência da Justiça Eleitoral, se prepara para ser candidato a governador pela Frente Popular, uma coligação partidária que governa o Acre desde 1999 e que é encabeçada pelo PT.

Na solenidade em que abdicou do cargo de prefeito, Marcus Alexandre, assim como o governador Tião Viana, fez questão de envergar roupa na cor preta, possivelmente em sinal de luto pela decretação da prisão do ex-presidente Lula, que resistia, em São Paulo, à ordem do juiz Sérgio Moro de se entregar à Polícia Federal em Curitiba.

Marcus Alexandre disse, ao renunciar à Prefeitura de Rio Branco, na qual permaneceu por seis anos após, eleito em 2012 e reeleito em 2016, que a partir de agora vai trabalhar para construir um plano de Governo no qual as principais propostas devem ser, segundo ele, focadas no crescimento econômico do Estado, com apoio à iniciativa privada para destrava licenciamentos e outras burocracias, a fim de que possam ser gerados empregos e renda principalmente para a juventude que está entrando no mercado de trabalho. Neste sentido, de acordo com o pré-candidato, seu plano de Governo também vai prever fortes investimentos na área de educação e segurança pública. “A segurança pública será o nosso desafio diário e nós vamos investir pesado nas nossas forças de segurança para termos paz”, acrescentou.

Alexandre afirmou ainda que, saindo da Prefeitura, estará livre para percorrer os municípios, indo a cada seringal e colônias. Para conversar com a população. “Onde houver um acreano, em qualquer lugar, mesmo nos mais distantes e isolados, eu lá estarei para levar uma mensagem de esperança e de avanços ainda mais na melhoria do nosso Estado”, acrescentou.

O ex-prefeito disse ainda que, em meio à crise nacional, o desafio de qualquer gestor será, sempre, com o controle das contas públicas e com a geração de empregos. “Nós precisamos fazer com que o Brasil possa voltar a crescer e nos estados nós precisamos acompanhar esse crescimento com a geração de emprego e oportunidades de trabalho com incentivo à economia”, disse. “Nós temos que buscar meios de diminuirmos a burocracia para destravar licenciamentos e apoiarmos os empresários para que gerem geram empregos e renda”, afirmou.

Dos muitos aliados que compareceram ao ato de despedida de Marcus Alexandre da Prefeitura, uma solenidade ocorrida no pátio interno do paço municipal, no centro de Rio Branco, o senador Jorge Viana, ex-prefeito, ex-governador, senador da República e candidato à reeleição Jorge Viana parecia o mais emocionado. Disse que Marcus Alexandre estava deixando a Prefeitura pela porta da frente, algo muito diferente do que ocorre com prefeitos, inclusive de grandes capitais do país, como é o caso de São Paulo, em que o prefeito (João Dória, do PSDB) não pode se permitir sair nem pela porta dos fundos porque ali, segundo ele, vem sendo feita a má política.

Ex-prefeito chegou ao Acre em 1999 trazendo apenas livros e esperanças

“O Marcus Alexandre, que está tomando a decisão mais difícil da vida, está podendo fazer isso com tranquilidade porque aqui está sendo feita a boa política. A política não é uma coisa imunda e ruim, como querem fazer crer os falsos moralistas que defendem a prisão do presidente Lula. Nós aqui estamos fazendo a boa política e o Marcus está deixando a Prefeitura porque foi convocado pela população acreana”, disse o senador. A convocação popular para que Marcus Alexandre fosse candidato ao governo, segundo Jorge Viana, se deu nas eleições de 2016, quando o prefeito foi reeleito e bateu seus adversários ainda no primeiro turno. “A população viu ali que algo estava dando certo na administração pública”, disse. “Foi Deus que colocou Marcus Alexandre no nosso caminho”, acrescentou

A condição de bom aluno de Marcus Alexandre também foi lembrada por Jorge Viana ao falar da relação com o Acre do ex-prefeito natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Jorge Viana disse que, ao assumir o governo do Estado, em 1999, e ao iniciar a execução de seu plano de Governo, que iria incluir as maiores obras de infraestrutura da história do Acre, foi então comunicado pelo secretário de Planejamento, o economista Gilberto Siqueira, de que não havia engenheiros suficientes para dar conta da tarefa. “Recorremos às escolas de engenharia e em São Paulo, um engenheiro acreano, o Jairo, com quem fizemos contato em busca de novos engenheiros, ele perguntou, na sala de aula, quem queria vir para o Acre. O único a levantar a mão, para a nossa sorte, foi o Marcus Alexandre”, contou Jorge Viana, emocionado. “Foi Deus que colocou o Marcus Alexandre no nosso caminho”.

Marcus Alexandre chegou ao Acre em 1999, no primeiro mandato de Jorge Viana. Passou por diversos cargos até ser confirmado como diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) de 2007 a 2012, já na administração do governador Binho Marques e em parte do primeiro mandato de Tião Viana. Em 2012, ele deixou o Deracre para ser candidato a prefeito de Rio Branco, a convite de Tião Viana.

Candidato diz que fará uma campanha sem ataques a adversários

Ao falar como pré-candidato a governador, Marcus Alexandre disse que aceitou o convite dos partidos da Frente Popular por ter sentido honrado com a proposta e também, segundo ele, para poder retribuir, com trabalho à frente do Governo, com a população que o acolheu como num filho. Ao falar da campanha que se aproxima, Alexandre disse que não vai polemizar com adversários e que fará seu trabalho com propostas e ideias. “Vou trabalhar em paz, sem ataques a adversários. Vou falar apenas de trabalho e do que podemos fazer. Eu sou um homem que gosta de trabalhar, que gosta de acordar cedo e que vai dormir tarde, sempre para poder oferecer o meu melhor às causas as quais me dedico. Vou trabalhar assim. Se os meus adversários quiserem fazer uma campanha de ataques, com guerra, eles vão ficar falando sozinhos. Se querem ataques, que façam sozinhos”, disse.

Por Tião Maia

Clique para comentar

Deixe uma resposta

Mais lidas da semana

Subir