Brasil

Na noite quinze reluzente viramos uma república

Vários fatores contribuíram para a decadência do grande Império do Brasil, dentre os quais, podemos nominar a questão religiosa, o ativismo dos maçons, a insatisfação dos senhores de engenho, o desprestígio de militares do exército e o fato da sucessora de Dom Pedro II ser uma mulher, a princesa Isabel, casada com o Conde D’eu, gerando o receio na população e nos políticos tupiniquins de que o marido desta, um francês, é quem de fato governaria o país quando o velho imperador morresse.

Por outro lado, Dom Pedro II era reconhecido e admirado como um grande líder, no Brasil e no exterior, tendo consolidado em paz um território colossal, venceu a Guerra do Paraguai, permitiu que sua filha, a Princesa Isabel assinasse a Lei Áurea, libertando os escravos (quando este estava em viagem ao exterior) e era tido como um homem muito culto, ético e moderado, agindo sempre em prol do grande país.

Entretanto, o Império decadente, muito rico era taxado de incoerente, abrindo espaço para que surgissem vozes republicanas sedentas de que o Brasil seguisse o exemplo de todo o continente americano e virasse uma República aos moldes do grande irmão do norte, os Estados Unidos da América.

Diante desse cenário, proclamou-se, pela ação firme do Marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de Novembro de 1889, na cidade do Rio de Janeiro, a República dos Estados Unidos do Brasil, sem batalhas, sem resistência imperial (Dom Pedro II não queria derramamento de sangue para permanecer no poder) e com o povo admirado e sem entender às claras o que se passava. O velho monarca foi mandado para o exílio junto com a família real.

Eternizaram-se as palavras do Visconde de Ouro Preto, o último primeiro ministro do Império do Brasil: “Quais as faltas, ou crimes de Dom Pedro II, que em quase cinquenta anos de reinado nunca perseguiu ninguém, nunca se lembrou de uma ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre a perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros praticados que o tornou merecedor da deposição e exílio, quando, velho e enfermo, mais devia contar com o respeito e a veneração de seus concidadãos?”

Contudo, o que ainda ecoa são as palavras do grande Marechal e primeiro presidente, Deodoro da Fonseca: “Digam ao povo que a República está feita”. Ele só não sabia que alguns de seus líderes, no futuro, a saqueariam e a transformariam em um sistema desacreditado, corrupto e também, assim por dizer, como o Império, decadente.

Texto: Narcelio Flávio Siqueira – Servidor Público e colaborador.

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