Acre

 “Parentes” sim, mas nem tanto…

Índios admitem parentesco de sangue e cultura, mas na hora de fazer política têm ideologias diferentes.

Eles se tratam, em público ou em privado, como parentes. O tratamento evoca a cultura e o sangue indígena que ambos carregam. Um, Mário Kaxinawá, ex-vereador pelo município de Feijó, é líder do povo que carrega seu sobrenome. O outro, Sebastião, de sobrenome Manchinery, como é chamado o seu povo, também carrega uma veia política no sangue, embora nunca tenha obtido um mandato apesar das tantas vezes em que se candidatou.

A novidade nesta história é que, em 2018, ambos serão de novos candidatos, mas por coligações e partidos diferentes: Sabá, que um dia já foi do PT e da Frente Popular, deverá disputar uma vaga de deputado federal, pelo DEM e as oposições; Já Mário, o Kaxinawá, filiado ao PSDC, deverá continuar firme com a Frente Popular e vai disputar uma vaga na Assembléia Legislativa. Ou seja, como os brancos dizem que em negócios, amizade ou parentesco é algo à parte, os índios seguem a máxima de que, em política, parentesco também é algo à parte.

Sebastião Alves Rodrigues Manchinery, o Sabá, o Haji, 47, nasceu no Alto Rio Iaco na Aldeia Senegal, Terra Indígena Mamoadate, em Assis Brasil. Já presidiu as entidades indígenas mais importantes do Brasil, entre as quais foi coordenador das Organizações Indígenas da Cuenca Amazônica (Coica). É poliglota e já participou de inúmeras missões internacionais. Em 2016, foi indicado para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Mário Kaxinawá, 48, na nasceu na Aldeia Paroá, no rio Envira, município de Feijó. Tem larga experiência nos movimentos socais. Além do mandato de vereador, foi coordenador do Polo Base de Saúde Indígena de Feijó. Atualmente, é presidente da Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (Opire). Com aproximadamente 13 mil pessoas, os Kaxinawá, também chamados de Huni Kui, (povo do morcego) é a maior nação indígena do Acre.

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