Acre

Secretários de Segurança Pública e Polícia Civil comemoram resultados positivos da Operação Ilha Grande e criticam uso eleitoreiro por senador

Os secretários de segurança pública, Vanderlei Thomas e de Policia Civil, Flavio Portela, concederam na manhã desta quarta-feira uma entrevista ao vivo no programa de rádio Voz do Juruá.

Durante a entrevista conduzida pelo apresentador Paulo Amorim, ambos secretários comemoraram os resultados positivos da Operação Ilha Grande, no Juruá.

A operação já cumpriu o mandato de prisão de mais de 80 pessoas com fortes indícios de integrarem facções do crime organizado. Mas de 150 pessoas deverão ser presas até o final da operação.  

A ação foi pensada, planejada e executada a partir de Cruzeiro do Sul, através dos policiais civis que atuam e conhecem a realidade do crime na região do Juruá, recebendo o apoio dos demais órgãos de segurança pública, como a PM, além de reforço policial da capital.

‘Cirúrgica’  

O conceito da operação difere totalmente da concepção de por exemplo, uma intervenção das Forças Armadas. Ao invés da presença ostensiva de homens armados equipamentos bélicos, de efeito puramente moral e estético, nesta operação a Polícia Civil agiu com base em provas e informações obtidas durante cinco meses de inteligência. As prisões foram efetuadas com mandato judicial e suficientes provas para o arbítrio de prisão. 

“Todas as pessoas presas tiveram suficientes indícios para que o poder judiciário determinasse a prisão. Trabalhamos com provas e fatos, e não com devaneios e boatos”, disse o secretário Carlos Flávio Portela.

Mudança na ‘geopolítica do crime’ 

Questionado sobre porque a polícia não teria agido antes, o secretário de segurança pública, Vanderlei Thomas explicou que houve uma mudança naquilo que chamou de ‘geopolítica do crime organizado’, implicando na mudança da Colômbia, para Peru e Bolívia como principais países produtores e portanto, para o Acre como principal rota de escoamento dessa produção.

O secretário também citou o início da guerra pela disputa das rotas do tráfico pelas facções, como causa dos violentos conflitos que tomaram o estado de assalto.

Bloqueador de Celular

O secretário afirmou durante a entrevista que mais de mil pessoas já foram presas desde o início da guerra das facções e citou a implantação do bloqueador de celular no presídio de Rio Branco, como uma das ações importantes. Sobre a implantação do bloqueador em Cruzeiro do Sul, o secretário afirmou que o projeto já foi encaminhado, mas que o recurso se encontra contingenciado pelo governo federal.

Críticas ao senador 

O secretário também teceu críticas ao senador Sérgio Petecão (PSD) que recentemente organizou uma comitiva a Brasília para pedir intervenção federal no Acre.

Vanderlei afirmou que o senador ‘pouco ou nada fez pela segurança pública’ no Acre que não teria apresentado nenhuma emenda ou mudanças na legislação que favorecessem o trabalho da segurança pública.

Nesse ponto, os secretários falaram sobre as brechas na legislação (especialmente código penal). A maior parte dos presos pela Operação Ilha Grande, já tem passagem pela polícia. 

O secretário de segurança pública desmentiu Petecão que recentemente teria acusado o governo de ‘falta de projeto’ na área de segurança pública. “Apresentamos projetos da ordem de 9 milhões. Os projetos já obtiveram sua aprovação técnica, mas permanecem contingenciada por uma opção política do governo federal”, disse.

Elogiando o trabalho de Policiais Federais e do Exército, o secretário apontou a falta de efetivo nas fronteiras como a principal causa para o alto índice de violência que se instalou no Acre.

Por Leandro Walteman/Juruá em Tempo

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