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Crime Ambiental: Em Cruzeiro do Sul, Prefeitura transforma em lixão o loteamento Jardim Primavera

Moradores do Residencial Jardim Primavera procuraram o Site para apresentar denúncia contra a Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul, que estaria depositando lixo urbano a céu aberto, exatamente na área institucional do loteamento.
Acre Real foi averiguar a situação. Nossa reportagem constatou que, de fato, existe um depósito de lixo, junto com compostos orgânicos, no local objeto da denúncia. Na ocasião, encontramos caminhões da prefeitura depositando carradas de lixo, inclusive material sintético, naquele local. Entre o que encontramos tinha plásticos de diversos tipos, sacolas, vidro, eletrodoméstico e até coletes salva vidas.
A reportagem encontrou uma sucata de ônibus no local. Em sua lateral está escrito “compostagem”, dando a entender se tratar de produção de compostos orgânicos para utilização na atividade agrícola. Pela grande quantidade de lixo não organico existente no local, fica claro que a atividade assinalada na lateral no velho ônibus não passa de um engodo. Mera tentativa de escamotear a verdadeira serventia da área.
Conversamos com alguns moradores que se disseram sofrendo as consequências da instalação do lixão na comunidade, e pedem providências. Eles esperam uma posição do Ministério Público e do IMAC. Alguns, inclusive, questionando a Camara Municipal, e os vereadores, que já deveriam ter denunciado a prática criminosa, bem como adotado medidas que a fizessem cessar.
Muitas reclamações por conta do mau cheiro, fato comprovado pela nossa reportagem. Moradores reclamam que isso tem afetado diretamente a qualidade de vida das pessoas que vivem no residencial, principalmente das crianças.
“Já tivemos várias reuniões, em todas convidamos o secretário Joel, e na última reunião a gente falou para ele do descarregamento de entulho nesta área institucional. Agora fomos ao ministério público para que o mesmo tome providência desse desmando em uma área institucional.
Essa área é destinada a construção de creche, Escola, Posto de Saúde, Quadra esportiva, não a depósito de lixo. Hoje pedimos a desocupação das áreas institucionais através do ministério público. Vamos aguardar a decisão do MP, a respeito da denúncia.” Disse Neurivan Soares., morador.
Procuramos o representante da Imobiliária Rio Môa, responsável pela gestão do loteamento. Marcelo Araújo nos recebeu no escritório da empresa, localizada no Morro da Glória, centro de Cruzeiro do Sul. Ele disse que a empresa já tomou conhecimento do problema, que ele mesmo esteve no local na tarde de quinta-feira (19), e que está preocupado com a situação.
“A Rio Môa, espera que as autoridades competentes tomem providências. O problema existe, mas não é na nossa área, é na área institucional que, por lei, no ato do loteamento é repassada para o município. A responsabilidade é da prefeitura na utilização da área institucional. A imobiliária está tendo prejuízos com a existência do lixão no local, pois diminuiu a procura por terrenos. Tememos até pela desvalorização dos lotes por conta do problema”, desabafou.
Entramos em contato com o Coordenador regional do IMAC no Juruá, Igor Neves, que disse: “Olha Luiz Carlos, confesso que não tinha conhecimento de tal ação. Saliento que esse tipo de atividade é considerada lesiva ao meio ambiente. Repudiamos e não compactuamos com esse tipo de atitude. Procuramos desempenhar nosso papel da forma mais escorreita e imparcial. Salienta-se ainda que por se tratar de área urbana a Secretaria Municipal de Meio Ambiente tem total prerrogativa de fiscalizar. Informo ainda que já houve, em outros momentos, ações similares a esta, e que foi verificado uma certa omissão do poder público municipal. Dessa forma, o IMAC irá notificar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Secretaria de Obras para que compareçam a esta autarquia e prestem os esclarecimentos necessários inerentes ao caso.”
Nossa reportagem fez contato com o secretário municipal de Obras, responsável pelo setor de limpeza e coleta de lixo, Joel Queiroz, que até o fechamento da matéria, não retornou aos nosso contatos.
Por Luiz Carlos Rosa
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